A pressa da geração Y pelo sucesso sem esforço

A pressa da geração Y pelo sucesso sem esforço

Vivemos numa geração onde o fast é generalizado. Queremos comida rápida, informação rápida, soluções rápidas para problemas que demandam tempo e, é claro, sucesso profissional rápido! 

O maior problema e “detalhe” que está sendo deixado de lado é que essa urgência pela rapidez, na maioria das vezes, não está andando de mãos dadas com a qualidade e o senso de realidade. E aí, temos profissionais frustrados por não conseguirem alcançar o que desejam. Tudo isso pelo fato de almejarem o sucesso em um curto período de tempo e, em alguns casos, sem demandar muito esforço.

Os profissionais das novas gerações, principalmente a Y, têm uma percepção da realidade que pode ser comparada com DVDs, onde é possível pular os trailers, adiantar ou voltar cenas, pausar e voltar a assistir quantas vezes quiser. 

No trabalho, esses profissionais parecem não ter paciência para construir uma carreira tijolo por tijolo na mesma empresa. Pulam as cenas onde são necessários grandes esforços e pequenos salários, e desejam cargos de liderança e um saldo em conta bem gordinho, sem vivenciarem, de fato, a realidade e os desafios organizacionais, indo direto para a parte dos créditos onde sobem “reconhecimento”, “sucesso”, “qualidade de vida”, “estabilidade financeira”, entre muitos outros desejos de qualquer profissional.

Segundo Bittencourt [1], “exigências como salários altos, remuneração variável, horários flexíveis, liberdade para criar, promoção rápida e folgas generosas são demandadas pela geração Y antes mesmo de entregarem resultados”. Entretanto, como essa realidade não é tão fácil assim de ser alcançada num panorama “normal”, esses jovens profissionais pulam de galho em galho quando a realidade não condiz com suas expectativas. 

Em um estudo realizado por Corseuil, Foguel, Gonzaga e Ribeiro [2], foi confirmado que os desligamentos voluntários (pedido de demissão por parte do funcionário) são mais frequentes em colaboradores jovens. Conforme afirmam os autores, essa alta taxa de rotatividade tende a diminuir a aquisição de experiência geral e específica de trabalho, além de dificultar o aumento da produtividade e oportunidades salariais mais altas.

Mas vamos lá, muita calma! Não podemos generalizar e nem enxergar que tudo é negativo! Essa geração (aliás, a minha geração!) têm muitas competências que agregam o dia a dia profissional e o crescimento de uma empresa. Segundo Hallman e Cruz [3], “os profissionais da geração Y fazem a diferença no ambiente de trabalho”. Santos [4] afirma que jovens adultos dessa geração possuem pontos fortes como a inovação, o domínio sobre tecnologias, práticas de sustentabilidade, rápida adaptação a mudanças, gosto por metas e desafios e a busca constante pelo equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Resende [5] também defende essa geração e afirma que ela trouxe “uma beleza especial para o ambiente profissional”, pois mostrou “a possibilidade de respeito pela forma de pensar, independentemente da idade, e gerou valor a negócios e ideias”

“O que todos enxergam apenas como rebeldia, na realidade é uma grande oportunidade de revermos processos, valores, cultura, para nos adaptarmos à nova realidade mundial. A geração Y tem muito a aprender, mas também muito a ensinar.” (Sofia Esteves, Graduada em Psicologia e pós-graduada em Gestão de Pessoas.)

Entre críticas e elogios, acredito que tudo isso deve ser analisado e colocado em equilíbrio, pois precisamos de profissionais dedicados, focados e alinhados com a cultura e valores da empresa, independentemente da idade ou geração. Diferenças sempre existirão, e é aí que está a verdadeira motivação em vivermos e amadurecermos pessoal e profissionalmente! Afinal, qual seria a graça se fôssemos todos iguais?!

 

Referências:

[1] Bittencourt, F. T. R. (2013). A Geração Y e o Mercado De Trabalho: Percepções Dos Alunos Do Curso De Turismo Da Universidade Federal Fluminense. Trabalho de Conclusão de Curso.

[2] Corseuil, C. H., Foguel, M., Gonzaga, G. & Ribeiro, E. P. (2013). A Rotatividade Dos Jovens No Mercado De Trabalho Formal Brasileiro. IPEA, Mercado de Trabalho.

[3] Hallmann, R. M. & Cruz, C. L. C. (2012). A Importância da Inteligência Emocional para o Profissional da Geração Y. Revista Acadêmica São Marcos.

[4] Santos, G. P. (2014). Um Mercado cada vez mais Jovem – Um Estudo sobre a Geração Y e o Impacto no Comportamento Organizacional. Trabalho de Conclusão de Curso.

[5] Resende, M. D. (2015). As Motivações da Geração Y. Revista PSIQUE.

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